Chove, chuva...
Foi em um sábado à noite que ela me ligou.A chamada falhava, e sua
voz, vacilava entre o chiado.Pude ouvir apenas uma palavra que esclareceu toda
a conversa: Acabou.Dizendo isso, desligou.Continuei paralisado, com o telefone
sobre o ouvido, tentando ao menos entender aquela situação.Precisava de um
motivo, uma explicação, algo que justificasse sua repentina e incompreensível
decisão.
Pela janela, vi guarda chuvas dançando nas calçadas.Estava
chovendo.Parecia que algo me prendia naquele apartamento. Não podia ficar mais parado, era bem melhor me molhar do que em casa
me esconder. Estava me sentindo agoniado, perdido, sem chão.
Na rua fria, olhei para o céu.Uma cortina cinza de água escondia as
estrelas.Os carros fazendo aquele chiado molhado e se perdendo na distância.Só
consegui correr, sem destino certo, sem saber se voltaria, para longe do meu
pesadelo.
Vencido pelo cansaço, desta luta silenciosa, sentei em uma
calçada.Uma dor mastigava meus pensamentos, então as palavras se transformaram
em lágrimas.Choro e chuva compartilhavam meu rosto em uma melodia melancólica.E
agora, no escuro da noite sem lua, sei que preciso te ver partir.Simplesmente,
acabou.Finalmente, a chuva silenciou meus pensamentos.Dos meus olhos, cai mais
uma lágrima, que vai se embora, como você, junto com toda essa água, que corre
no meio fio, em direção aos bueiros.
Ilana Marques

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